Pipoca - Death Note 2017 (Netflix)


Em apenas 24 horas, o filme Death Note da Netflix teve uma enxurrada de descontentamento e destilação de ódio. Se bem que eu já esperava essa atitude do público desde as escalações dos atores. Com o trailer, na época, me deu mais certeza que isso aconteceria. E aconteceu.


O ódio se levantou contra o filme de Adam Wingard de uma forma tão intensa que somente os fãs mais apaixonados poderiam disseminar.

Mas calma, gente.

Vocês estão indo longe demais. O tio Dani aqui assistiu, seis horas depois do lançamento, e confesso que não consegui nutrir tanto ódio assim quanto vocês. Só um pouquinho.

Para quem está perdido, Death Note é uma obra em Mangá (revista em quadrinhos japonês) criado pela dupla de ouro Tsugumi Ohba (roteiro) e Takeshi Obata (desenho) e publicada no Japão pela editora Shueisha na revista Weekly Shonen Jump, publicação tradicional de mangás em capítulos na terrinha do sol nascente.

Publicada no inicio de 2003, a Jump Comics apostou alto num conteúdo diferenciado que se destacava das histórias de heróis da revista que sempre pintavam por lá. Deu inicio então a um período de testes da editora com uma história que cativou não só o Japão, como foi hit em vários lugares do mundo, principalmente aqui no Brasil. E olha que esse estilo de Death Note caiu tanto no agrado da editora que quase todo ano tem um título parecido, no quesito suspense.

No mangá de 2003, Ligth Yagami é um gênio na escola e habilidoso em qualquer esporte que pratique. Dotado de uma mente brilhante, o garoto do colegial está entediado e muito aborrecido com a humanidade e suas perdições. Por outro lado, um Deus da Morte (Shinigami) chamado Ryuk está entediado em seu mundo - podemos chamar de inferno? - e decide movimentar um pouco as coisas. Um Deus da Morte possui um caderno ao qual pode julgar a morte das pessoas. Ryuk escreve especificações em inglês e deixa um de seus cadernos cair na terra, precisamente no Japão, dando inicio assim uma das parcerias mais complexas, e talvez vilanescas, da história dos mangás.

Com a posse do caderno da morte, Light Yagami dá inicio em sua jornada para se tornar o Deus do novo mundo, também conhecido como Kira. Fazendo justiça com suas próprias mãos, o garoto cumpre bem seu papel. Acompanhando assassinos, pedófilos, fraudadores, assaltantes e estupradores, Yagami desembestou a obliterar essas existências com seu novo caderno da morte. O que ele não esperava era que as maiores forças policiais do planeta suspeitariam de suas atitudes e que um tal detetive L (o melhor que o mundo já conheceu) estivesse em sua caça.

Numa perseguição inteligente entre L e Light Yagami, o mangá dá um show de mindgames, reviravoltas e complexos diálogos que se tornam importantes em cada movimento das personagens. É como se você estivesse lendo um tabuleiro de xadrez com duas mentes impetuosas e sofrendo com cada pedaço da história com seus movimentos mirabolantes e acontecimentos inesperados. E talvez tenha sido isso que o ódio das pessoas foram derramados após terminar os 101 minutos da filme de Death Note da Netflix. Não tem nada disso. O filme é uma outra coisa, uma outra realidade.

Dirigido por Adam Wingard e roteirizado por Jeremy Slater, Charles e Vlas Parlapanides, o filme Death Note de 2017 não é um filme sensacional, mas também não é tão ruim assim. Se você colocar na sua cabeça que esse é um filme completamente novo, uma repaginada da franquia, ele até dá pra assistir. Claro, com muitas ressalvas.

Mas eu entendo todos vocês que odiaram esse filme. Ele está longe do clima e do contexto nos apresentados nos mangás e animação.

Quando se fala de uma franquia poderosa como Death Note, até mesmo os quatro live action feitos pelo Japão dão uma lavada no filme da Netflix. Mesmo com todos os seus problemas de atuação e roteiro falho, esses filmes de 2006 nos asseguram uma proximidade MUITO MAIOR com o mangá e o anime também de 2006. E é nesse momento que vem a raiva. O Japão tem muitas novelinhas que são agradáveis de assistir e alguns filmes nos trazem uma diversão esperada. Mas sabemos que adaptações live action do Japão deixam muito a desejar. E nesse caso, Death Note japonês é muito mais satisfatório do que a produção americana.

Uma pena. Afinal, quando se trata de EUA esperamos sempre uma produção do caramba e que nos deixem satisfeitos.

Porém, amiguinhos, ultimamente é uma decepção atrás da outra. Shingeki no Kyojin mandou beijos.

Também, Adam Wingard tem filmes que não são tão legais assim e foi o diretor do Blair Witch de 2016. Só por aí, já era pra ter um medinho de qualquer filme desse cara. Sabe quem é Jeremy Slater, que fez o roteiro junto com os irmãos Palapanides? É o roteirista do terrível Fantastic Four de 2015. Gente, como vocês confiaram? Tá bom, não vamos desmerecer o cara na série The Exorcist, que fez um excelente papel. Tá bom, está meio perdoado. Agora e o que falar sobre os irmãos Vlas e Chaley Palapanides? Eles fizeram o roteiro de Imortais. É um dos filmes mais péssimos que assisti. Me dá um embrulho no estômago quando lembro.

Death Note da Netflix era uma grande aposta que só nos reforçou a ideia, da qual eu nós já sabíamos: Netflix não é gabarito para qualidade pra nada. Principalmente agora que a produtora desembestou em injetar dinheiro para aumentar o seu catálogo.

Por último, para tirar o gosto rançoso do filme Death Note da Netflix, eu aconselho assistirem os filmes: Death Note (2006)

Death Note 2: The Last Name (2007)

São os conteúdos que mais se aproximam do mangá.

Nem preciso dizer que no Japão a franquia é tão forte que em 2016 foi lançado um Dorama (novela japonesa) de 11 episódios trazendo uma nova releitura da franquia. E ainda assim, é muito mais legal que o filme da Netflix. Seria legal vocês também conheceram além dos filmes Death Note e Death Note 2 The Last Name, dar uma chance ao filme L: Change The World (2008) e também o mais recente Death Note: Light Up The New World de 2016.

Ou seja, acho que a obra de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba ainda vai nos entreter por algum tempo.

Com certeza a franquia estará nos martelando por um bom tempo ainda.

E você, já assistiu o filme da Netflix? Já assistiu tudo sobre Death Note?

Me contem nos comentários, mas sem spoiler para os amiguinhos, tá bom? Espero que tenham gostado e até a próxima! Enjoy!


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