Pipoca - Mulher Maravilha 2017


Digerir tudo que assisti durante duas horas e vinte minutos foi um processo lento e um pouco doloroso.

Vale lembrar que esse humilde ser que vos alegra nessa recanto de cultura pop universal é apenas um apaixonado pelos ícones atuais construídos e gerados pela DC COMICS, principalmente através dos desenhos animados de Bruce Timm e em alguns volumes de arcos fechados desses super-heróis.

Não sou crítico de cinema, especialista em quadrinho, mas sou gente como todo mundo, o consumidor final desses produtos da DC.


Mulher Maravilha...

Nossa, primeiro preciso lembrar que, na minha opinião, existem 3 filmes sensacionais da DC COMICS: A Trilogia do Batman do Christopher Nolan.

Depois disso temos um abismo de cinco anos sem nada, nada que realmente valesse a pena gastar meu suado dinheiro no cinema. BEIJOS, SUPERMAN E SUICIDE SQUAD!

Então vejo o Batman do Nolan e Mulher Maravilha da Patty Jenkins como as melhores criações cinematográficas da DC COMICS.

Patty Jenkins é a diretora desse filme e também foi a diretora do fabuloso Monster, que conta a história da serial killer Aileen Wuornos, ex-prostituta que assassinou 7 homens no final da década de 80 e o início da década de 90. Também, não tinha muito como errar. Acertaram muito bem na direção. E claro, Patty também acertou na protagonista. Escolheu Gal Gadot para segurar esse escudo pesado que é ser a Mulher Maravilha.

Escudo muito bem armado de 1975 até 1979 pela talentosa Lynda Carter. Ou seja, Gal Gadot tinha uma responsabilidade pesada em representar a heroína nos cinemas.

Um ponto muito positivo é ver que esse é um passo importante para uma grande heroína estourar nas telas, e logo já explico a razão.

Depois de tanto homem salvando o dia, estava na hora de uma mulher conquistar as massas nessa porra toda. Não que mulheres fortes de verdade não existam no cinema e na televisão, minha veneração pela Viola Davis, Alicia Vikander, Meryl Streep, Jessica Lange e Robin Wrigth está aí para lembrar-me sempre disso. Alias, essa última, a Robin, que além de ser a fabulosa Claire de House of Cards é também a durona Antíope, general das Amazonas, irmã de Hipólita, a mãe da Diana (Mulher Maravilha).

Ao meu entendimento, esse filme leva para os corações de muita gente, principalmente mulheres, o sentimento de representação, coisa que eu como menino sinto há anos e anos e anos com os milhares de super-heróis, homens, enquadrados nas telas desde muito antes do meu nascimento, acho que pela primeira vez as garotas sentiram. O filme é muito importante para que abram mais espaço para as heroínas, escaço nas telas do cinema nesse formato de super-herói até então.

Contudo, meus pensamentos me levam a constatar que nem de longe é uma heroína que representa uma força feminista como muita gente se engana em apontar. O filme sim é importantíssimo para essa representatividade, mas não faz jus nem de longe a uma personalidade que eu imaginava encontrar. Ele não faz um favor para as mulheres ao explorar de alguma forma essa representação na tela. Isso já deveria ser obrigação há muito tempo.

Quando fui ao cinema eu esperava uma personagem muito mais independente, mais forte e muito mais engajada, assim como acontece nas animações do Bruce Timm, o cara que conseguiu nesses 25 anos acertar a DC nas animações.

No final das contas o que assisti sentado na cadeira do cinema era sim um ótimo filme de super-herói, mas foi apenas isso, um puta filme foda de super-herói, importantíssimo nesse momento, mas nada diferente. Igual os outros, mas com uma cereja um pouco melhor no bolo.

Não sei se foi um erro de roteiro, ou alguma coisa que quiseram introduzir e não funcionou, mas a Diana do inicio do filme, inteligente, forte e extremamente competente em entender as teorias sobre a humanidade, se transforma, em um dos atos do filme, em uma garota boboca tentando se adaptar ao lado dos humanos. COMO PODE ISSO? Que diferença gritante. Isso me incomodou.

E mais uma vez, como sempre fazem, o amor por um homem a leva ao estado máximo de poder transformando numa forma bem escrota de explicar um Deus Ex Machina que surge para derrotar o verdadeiro vilão desse filme.

O termo Deus ex Machina é um recurso usado muito nas narrativas para dar uma solução arbitrária a um impasse vivido pelos personagens. Ou seja, quando a merda toda acontece, vamos usar esse recurso e tudo se resolve. Nesse caso, o amor pelo Steve Trevor a elevou ao verdadeiro poder de deusa e então tudo se resolveu.

Isso eu detestei, sério, detestei muito! Mas, cumpre muito bem o papel de filmes de super-heróis. Por isso que eu o coloco como um filme muito bom, mas nada fora da curva que subverte o gênero como Watchmen, Kill Bill, Kick Ass, entre outros. É mais do mesmo, só que um pouco melhor do que o usual.


Enfim, vale cada centavo do seu dinheiro. Pode ir ao cinema sem medo.


Espero que a DC continue assim que está ótimo. E pode vir mais que está pouco!

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