#02 - O Escaravelho do Diabo


***Matéria publicada em 2015 no antigo site do Khave Livros, principal Blog do Daniel Constantini na época.

Inaugurando nossa coluna Educacional, que tal começar com a Coleção Vaga-lume, saudosa lista de livros paradidáticos das décadas de 70 até os anos 2000?

E nesse primeiro passo, iniciamos com “O Escaravelho do Diabo” um livro com um nome forte e que, na minha época, foi a loucura da garotada na escola.

A década de 90 corria solta e eu apenas preocupado com meus Tazos da Elma Chips, chocolate Surpresa Bichos, figurinhas do Rei Leão do chiclete Ping Pong, Iô-Iô da Coca Cola e claro, louco para ler os livros da coleção Vaga-Lume da editora Ática, em especial “O Escaravelho do Diabo”, pois, na minha traquinagem de menino era um livro que todos os garotos deveriam ler, pois se tratava de assassinatos e uma busca de detetives para pegar o assassino. Ah, como a gente vibrava com essas coisas!

Li vorazmente nessa época a pedido de um professor de português muito legal, um dos melhores que já tive (obrigado, professor Edi Emerson!), que fez a gente ler tanta coisa que ficávamos zuretados de tantos resumos e leitura, mas eu amava de paixão. E olha que o livro já esta na sua 27ª edição.

Uma curiosidade engraçada é que na coleção toda dos 108 livros, até hoje, apenas duas edições mudaram a capa, uma foi “O Feijão e o Sonho” e a outra foi “O Escaravelho do Diabo“. A resposta disso ainda não consegui, mas confesso que a segunda capa me cativa um pouco mais.

O Escaravelho do Diabo vai transcorrer uma história sobre um determinado assassino que mata apenas pessoas que tenha a cor ruiva dos cabelos numa cidade fictícia chamada Vista Alegre. O primeiro assassinato foi do irmão de Alberto, nosso protagonista. Hugo tinha o apelido de “Foguinho” por causa de seus cabelos e foi a primeira vítima desse assassino misterioso. Alberto, estudante de medicina, vê seu irmão assassinado por uma espada transpassada em seu peito. Essa morte o abala e, já aficionado em descobrir enigmas, Alberto percorre seus dias ao lado do delegado Pimentel para descobrir quem foi o assassino de seu irmão. O inusitado era que Hugo, irmão assassinado de Alberto, havia recebido um pacote horas antes de morrer. Recebeu pelos correios uma caixinha com um escaravelho (besouro) espetado numa agulha entomológica. Mais tarde Alberto veio a entender que talvez fosse um aviso do assassino, pois a espécie de besouro enviado ao Hugo era um Phanaeus ensifer, chamado também de Porta Espada.

O que levou Alberto a juntar algumas peças foi a morte de um outro garoto, também ruivo, que recebeu o mesmo padrão de cordialidade do assassino. O filho da irlandesa Cora O’Shea recebeu uma caixinha pelos correios com um outro tipo de escaravelho. Clarence O’Shea não escapou e acabou ingerindo Cianeto de Potássio colocado em seu medicamento para a gripe. A alta dosagem desse veneno acabou matando o garoto: “Clarence, soltando um grito agudo, cambaleou e caiu pesadamente no chão, lívido como cal.”

Alberto acabou pegando a caixinha que Clarence havia recebido e enviado a um entomólogo que constatou ser um Hypophenemus toxicodendri, um Hope. Pela taxonomia “toxicodendri” Alberto pôde constatar o padrão: “O assassino envia espécies de escaravelhos que os comunica a forma de sua morte“. Contudo, quando Alberto explica isso ao delegado Pimentel, limitam-se apenas a simples coincidência, que veio a ser quebrada com a próxima morte.

Estava Alberto e uns colegas no teatro assistindo à ópera “Carmen” composta por Bizet, quando no último ato, enquanto a atriz principal é ovacionada pelo grande talento no palco, cai morta no chão. Pimentel então é chamado e, mais um motivo para acreditarem nas palavras de Alberto, afinal, a atriz Maria Fernanda, que interpretava Carmen, caiu morta no chão com uma pequena seta cravada no peito embebida de curare, um tipo de mistura de vários compostos orgânicos venenosos e que também podem ser conhecidos como veneno de flecha, geralmente extraídos de plantas da América do Sul. Alberto junto ao delegado Pimentel, agora crente de que o assassino seja um “Serial Killer“, vasculham o apartamento de Maria Fernanda e a muito custo, com uma ideia de Alberto, encontram a caixa do escaravelho enviado a atriz que provavelmente odiou a brincadeira e arremessou o bicho pela janela. Onthophagus sagittarius, constatou o entomólogo do museu do Rio de Janeiro, a qual Pimentel fez questão de visitar pessoalmente. Então o delegado pôde de fato constatar: Saggittarius também significa homem com uma flecha, ou seta. Pronto, a situação tinha realmente piorado.

Mas gente, essa coisa de resenha contando tudo que vai acontecer é uma situação que não me apetece muito, acho que já contei coisa até demais! O que eu posso lhes dizer é que a coisa começa a ficar muito louca, torta e cheia de mistérios. Ainda tem mais mortes, mais escaravelhos, uma morte muito esquisita… um galo? Vai ter que ler…

Até mesmo o sub-inspetor da polícia, o Silva, entra na história para ajudar Alberto e Pimentel, afinal, a coisa realmente estava perigosa.


BÔNUS:

Se quiser saber como o BEMBIDION entra na história, precisa fazer a leitura do livro "O Escaravelho do Diabo". Também não posso lhe entregar tudo!


*Lembrando que o último escaravelho é fictício, e é justamente o escaravelho desenhado na segunda capa do livro:

Lúcia Machado de Almeida, nossa fantástica autora de “O Escaravelho do Diabo” desenvolveu uma história simples e cheia de mistérios que vai te prender rapidamente, afinal, você vai querer saber quem diabos fez tudo isso. E claro que não podia faltar o romance no meio do livro. Alberto também tem lá suas necessidades e acaba se apaixonando por uma mocinha muito linda e simpática, de gênio difícil. Quer saber quem é? “O Escaravelho do Diabo“, numa livraria mais próxima de você! ♥

Quando a fabulosa da editora Ática resolveu fazer a coleção, foi com uma proposta muito pedagógica, afinal, são livros paradidáticos que nas décadas posteriores até vinham com um cartão onde a editora trazia determinadas atividades para os professores acompanharem as crianças em sala de aula. E olha só, vou te contar uma coisa, só esse livro dá pra gente estudar MUITA coisa mesmo!

Só a parte taxonomia a gente pode procurar todo esse mundo dos coleópteros e coprófagos, sem contar toda a parte química sobre os tóxicos do Cianeto de Potássio e o curare, e até mesmo percorrendo a parte da música como “Carmen” de Bizet ou até mesmo a canção “Habanera” e músicas como a “Polonaise” de George Sand e a “Noturno” de Chopin assoviadas pelo vizinho de Alberto. Sem contar referência de outros países e pequenas frases em inglês que acabam despertando a curiosidade do aluno em desbravar um mundo até então desconhecido, mas apresentado de uma forma muito apaixonante pela autora.

Escrito na década de 50, em 1956 para a Revista “O Cruzeiro”, foi reeditado em 1972, provavelmente já para a Coleção Vaga-lume. Sua autora, Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), é uma profissional em destaque no meio acadêmico e era uma excelente pesquisadora da cultura brasileira. O gostoso dessa obra é acompanhar a narrativa de Lúcia juntamente com as gravuras de Mário Cafiero, que lhe dá uma noção maior referente às personagens e ao Alberto, nosso protagonista.


O Escaravelho do Diabo foi transformado em filme em 2015 com direção de Carlos Milani e estrelado por Marcos Caruso, como o delegado Pimentel e o ator mirim Thiago Rosseti, que interpretou o Alberto.

Fizeram algumas adaptações para a nossa década, mas mesmo assim o filme ficou bem interessante.

Uma das coisas divertidas é que esse filme foi filmado aqui na minha terra natal Amparo e que rendeu cenas bem nostálgicas. Veja o trailer abaixo:

Depois dessa longa aventura sobre besouros, assassinatos e bastante informação, espero que todos vocês tenham gostado.

Já leu o livro? Gostaria de comentar sem spoiler?

Comente, converse, compartilhe!


Até a próxima!




#ColeçãoVagaLume #OEscaravelhodoDiabo #Livro #InfantoJuvenil #Assassinato #SerialKiller #Besouro #Insetos #Diabo

POSTS EM DESTAQUE